Acre 64 anos: a história de um povo guerreiro que conquistou seu lugar no Brasil

Construída décadas antes, essa tajetória nasceu do esforço de milhares de homens e mulheres que ocuparam os seringais amazônicos, enfrentaram o isolamento geográfico, participaram da Revolução Acreana e lutaram para que o território deixasse de ser boliviano e passasse a integrar definitivamente o Brasil. Essa é a história do Acre.

Ao completar 64 anos como estado, o Acre celebra não apenas uma data administrativa, mas uma trajetória marcada por resistência, identidades e orgulho regional. Essa história também se expressa em seus principais símbolos e marcos históricos: a bandeira, o hino, o brasão, o Palácio Rio Branco, a Gameleira e a memória da Revolução Acreana.

Em 2026, esse aniversário ganha ainda mais significado por ocorrer sob a liderança de Mailza Assis, a segunda mulher a ocupar o cargo máximo do Poder Executivo acreano.
A Revolução Acreana é a origem da identidade acreana
Antes de existir como estado brasileiro, o Acre era uma região disputada. Embora o território pertencesse oficialmente à Bolívia conforme estabelecido pelo Tratado de Ayacucho de 1867, milhares de brasileiros, atraídos pelo ciclo da borracha, já viviam e trabalhavam na região no final do século XIX. A tensão aumentou quando a Bolívia tentou exercer maior controle político-econômico sobre a área, provocando revoltas lideradas pelos seringalistas e seringueiros brasileiros. Foi nesse contexto que surgiu a chamada Revolução Acreana, movimento que culminou com a incorporação definitiva do território ao Brasil após o Tratado de Petrópolis, em 1903.
A luta armada, liderada por figuras como José Plácido de Castro, consolidou-se como um dos principais marcos da formação da identidade acreana. A memória desses acontecimentos permanece viva em monumentos, cerimônias cívicas e símbolos oficiais do estado.
A bandeira é a estrela que nasceu da revolução
Entre todos os símbolos acreanos, nenhum é tão reconhecido quanto a Bandeira do Acre.
O atual desenho foi oficializado pela Lei nº 1.170 de 1995, retomando o modelo criado ainda no período do Estado Independente do Acre, em 1899. Dividida diagonalmente entre o amarelo e o verde, o símbolo se utiliza das mesmas cores predominantes do pavilhão nacional, simbolizando a integração do Acre ao Brasil. O verde simboliza a esperança, enquanto o amarelo remete às riquezas da terra e, em algumas interpretações históricas, a paz.
O elemento mais marcante é a estrela vermelha conhecida como Estrela Altaneira. Ela simboliza o sangue derramado pelos revolucionários acreanos na luta pela incorporação definitiva do território ao Brasil.

Ao longo das décadas, a estrela tornou-se um dos maiores símbolos do orgulho regional acreano. Não por acaso, a troca da bandeira no monumento À Revolução, localizado na Gameleira, tornou-se uma das cerimônias mais tradicionais das comemorações de aniversário do estado.
O hino é a narrativa épica do povo acreano
O Hino Acreano é uma verdadeira celebração da luta revolucionária que marcou a formação histórica do estado. Com letra de Francisco Mangabeira, a letra enaltece valores como coragem, patriotismo, liberdade e o profundo vínculo dos acreanos com sua terra.
Logo nos primeiros versos, a composição faz referência à bravura do povo aacreano e à importância histórica da Revolução Acreana. Já o refrão destaca a Estrela altaneira, principal símbolo da bandeira do estado e um dos maiores emblemas da identidade acreana.
“Fulge um astro na nossa bandeira, que foi tinto com sangue de heróis.”
A passagem reforça a ligação entre o símbolo estadual e os homens e mulheres que participaram da luta pela incorporação do Acre ao Brasil. Mais do que um canto cívico, o hino funciona como uma narrativa histórica em forma de música, transmitindo às novas gerações a memórias dos acontecimentos e os valores associados à formação do estado.
O brasão é síntese visual da história acreana
Embora menos conhecido do que a bandeira, o brasão do Acre reúne símbolos que representam diferentes momentos da formção histórica e política do Acre.
Lema em latim “Nec Luceo Pluribus Impar”, presente no Brasão do Acre, significa “Nem a muitos brilho igual”,é tradicionalmente interpretado como uma referência à relevância e à singularidade da região. Foto: Reprodução
Nele aparecem referências à floresta amazônica, aos rios, à riqueza natural, à produção extrativista e à própria Revolução Acreana. A composição procura representar a união entre natureza, trabalho e patriotismo, três elementos frequentemente associados à identidade acreana ao longo de sua história.
Palácio Rio Branco é o coração político do Acre
Poucos edifícios simbolizam tanto o processo de construção institucional do Acre quanto o Palácio Rio Branco.
A pedra fundamental foi lançada em 15 de junho de 1929, durante o governo de Hugo Carneiro. O prédio foi inaugurado em 1930 e concluído posteriormente, tornando-se a sede do governo acreano. A arquitetura combina elementos clássicos com influências do art déco, movimento artístico caracterizado por formas geométricas, linhas aerodinâmicas e materiais sofisticados. O estilo refletia os ideais de modernidade e d progresso da época, em um período em que o Acre buscava consolidar sua estrutura administrativa e fortalecer sua presença política na federação brasileira.
Ao longo de décadas, o Palácio recebeu governadores, autoridades nacionais e foi palco de decisões que moldaram a história do estado.
Hoje, continua sendo um dos principais símbolos da administração pública acreana.
A Gameleira é onde a história permanece viva
Se o Palácio Rio Branco representa o poder institucional, a Gameleira representa a memória afetiva do povo acreano.

