No Acre, familiares reclamam de túmulos danificados e objetos roubados em cemitério

Visitar o túmulo de familiares no Cemitério São João Batista, em Rio Branco, nesta segunda-feira (2), tem sido motivo de tristeza e indignação para pessoas que encontram sepulturas danificadas e objetos furtados.
No local, considerado o mais antigo e um dos maiores da capital, familiares relatam prejuízos provocados por saques recorrentes, que atingem vasos, crucifixos, fotografias e outros itens deixados como forma de homenagem.
Aos 72 anos, Dilce Terezinha acompanha há décadas os túmulos do filho Tibério Gaspar Vogel, sepultado em 1997, e do marido Aniceto Vogel, que morreu em 2004. A família mantém uma manutenção mensal das sepulturas, mas, mesmo com os cuidados frequentes, já precisou lidar diversas vezes com os danos provocados por furtos.
Ela contou ao g1 que costuma visitar o espaço e acompanhar os reparos, mas se preocupa com as famílias que não conseguem ir ao cemitério com frequência e acabam encontrando os túmulos destruídos.
“Os nossos entes queridos foram, mas o sentimento fica. Por meio desse sentimento de gratidão com eles, a gente mantém vivo esse cuidado, esse carinho. A gente gostaria que as demais pessoas que são encarregadas da manutenção desses espaços também tenham um pouco de sentimento, porque quem está sepultado ali, cada um tem família”, desabafou.

A preocupação também é compartilhada por Raimunda El Shawwa, de 71 anos. A mãe dela está sepultada no São João Batista há 45 anos e o pai, há 13. Segundo ela, há dois anos, o túmulo dos pais foi saqueado pela segunda vez. Na ocasião, foram levados vasos de bronze e um crucifixo. Até as fotografias da família foram atingidas, com a estrutura onde ficavam expostas quebrada.
Raimunda afirmou que chegou a procurar a administração do cemitério, registrar boletim de ocorrência e pedir providências ao poder público, mas diz que os problemas continuaram.
“Eu venho aqui durante todo o ano, não é só no dia dedicado aos Finados. […] A gente fica lutando e reorganizando os túmulos, que é um absurdo. Espero que a gente consiga, com muita luta, que já movimentei várias pessoas também que têm túmulos saqueados, para juntos reivindicarmos isso”, relatou.

Prefeitura afirma que reforçou segurança
A administração do Cemitério São João Batista reconhece a necessidade de melhorias na segurança. Francisca Silva, que trabalha há sete anos no local, afirma que houve reforço no monitoramento, com a instalação de nove câmeras, além da contratação de agentes para a portaria.
Segundo ela, a equipe administrativa também foi ampliada para auxiliar os visitantes na localização das sepulturas. Quem não sabe onde está enterrado um familiar pode procurar a administração, informar o nome da pessoa e receber a indicação da quadra e do lote.
“Deu uma melhorada em questão da segurança, a gente conseguiu colocar mais câmeras aqui, nove câmeras ao total. Sobre espaço, não tem mais, o cemitério já está bem lotado, quem já tem sua terrinha aqui consegue sepultar, fazer benfeitorias, mas não tem mais lote pra venda. Demos uma reforçada também com os agentes de portaria que foram colocados”, disse.

G1

