Vício em bets afasta jovens da escola e ameaça permanência na faculdade

A psicóloga educacional Vanessa Karolynna acompanha casos de jovens que relatam dependência em plataformas de apostas online no Amapá. A especialista percebeu que a consequência do vício em bets pode ir além da queda no desempenho escolar. Afeta a saúde mental, as relações familiares, a vida social e até a saúde física.
Em um dos casos, um estudante do ensino superior que usava todo o salário para bancar as apostas enfrentou problemas para pagar a faculdade.
“Essa situação acabou gerando conflitos familiares, perdas financeiras e um intenso sofrimento psicológico. O prejuízo foi muito além da questão financeira. O envolvimento com as apostas comprometeu a saúde mental, as relações familiares, a vida social e até a saúde física. Ele passou a apresentar muita ansiedade, uma necessidade constante de acompanhar as apostas pelo celular, dificuldade para dormir, alimentação inadequada e perda da qualidade de vida”, contou Vanessa.
A psicóloga percebeu que casos como esse começaram a aparecer com mais frequência entre os jovens. Essa modalidade de aposta se popularizou no Brasil a partir de 2018, quando o então presidente Michel Temer sancionou a lei que regulamenta a aposta de quota fixa, em que o jogador sabe exatamente o valor que vai ganhar quando finaliza o palpite, caso o resultado escolhido aconteça. Para apostar, é necessário ter 18 anos ou mais, mas adolescentes conseguem burlar as plataformas informando dados de terceiros.

