Jornalista relembra bullying na escola: “Tive vontade de matar os colegas”

O jornalista acreano Marcos Dione, conhecido nas redes sociais pelo bordão “é verdade”, publicou um forte desabafo ao relembrar os episódios de bullying que sofreu durante a infância e adolescência. O relato foi feito em meio à repercussão do ataque ocorrido no Colégio São José, em Rio Branco, onde um aluno matou duas servidoras da instituição.
Na publicação, Marcos Dione afirmou que viveu anos de humilhações dentro da escola por ser uma criança com deficiência e homossexual. Segundo ele, os ataques vinham não apenas de colegas, mas também de uma professora.
“A dor de ser humilhado publicamente por quem eu era gerou em mim uma revolta profunda. Lembro-me de sentir um ódio que transbordava; eu tinha pensamentos sombrios e uma vontade genuína de revidar toda aquela violência”, escreveu.
O jornalista relatou que o ambiente escolar, que deveria representar acolhimento e aprendizado, acabou se tornando um espaço de sofrimento e sobrevivência emocional.
“O bullying era diário, cruel e sistemático. Eu era alvo de chacotas constantes dos meus colegas e, de forma ainda mais dolorosa, de uma professora que deveria me proteger e ensinar, mas que escolhia usar o deboche para me ferir”, disse.
Apesar da dor vivida na infância, Marcos afirmou que decidiu transformar a experiência em força pessoal e profissional. Segundo ele, a escolha pelo jornalismo surgiu como uma forma de não ser silenciado novamente.
“Escolhi o jornalismo para que nunca mais ninguém pudesse me silenciar. Hoje, olho para essas cicatrizes não com desejo de vingança, mas com a paz de quem transformou toda aquela escuridão na força necessária para ser exatamente quem eu sou”, publicou.
O relato ganhou repercussão nas redes sociais por ocorrer dias após o ataque no Colégio São José, caso que reacendeu debates sobre saúde mental, violência nas escolas e os impactos do bullying entre adolescentes e jovens.
Veja o relato completo dele:
Eu também já tive vontade de matar todos os colegas da minha classe. A minha trajetória não é feita apenas de registros profissionais, mas de batalhas internas que começaram muito cedo. Para entender quem eu sou hoje, é preciso voltar aos bancos do ensino fundamental, um lugar que, para muitos, é de descoberta, mas para mim foi um cenário de sobrevivência. Naquela época, eu carregava o peso de ser uma criança com deficiência e homossexual em um ambiente que não sabia lidar com a diferença. O bullying era diário, cruel e sistemático. Eu era alvo de chacotas constantes dos meus colegas e, de forma ainda mais dolorosa, de uma professora que deveria me proteger e ensinar, mas que escolhia usar o deboche para me ferir.
A dor de ser humilhado publicamente por quem eu era gerou em mim uma revolta profunda. Lembro-me de sentir um ódio que transbordava; eu tinha pensamentos sombrios e uma vontade genuína de revidar toda aquela violência contra cada colega e contra aquela professora que me diminuía. Era o desespero de alguém que se sentia encurralado, sem voz e sem saída. No entanto, em algum momento entre aquele sofrimento e a vida adulta, eu decidi que não deixaria que o preconceito deles fosse o meu fim. Escolhi o jornalismo para que nunca mais ninguém pudesse me silenciar. Hoje, olho para essas cicatrizes não com desejo de vingança, mas com a paz de quem transformou toda aquela escuridão na força necessária para ser exatamente quem eu sou.minha história é o relato de alguém que sobreviveu ao sistema para finalmente poder contar a própria versão dos fatos.
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