PT em SP vê espaço menor para Marina Silva na disputa ao Senado

Integrantes do PT em São Paulo já admitem, nos bastidores, que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pode perder espaço na disputa por uma vaga ao Senado na chapa do campo governista no Estado. A avaliação interna é de que o nome do ex-ministro Márcio França, do PSB, ganhou força nas conversas sobre a composição para 2026.

Segundo o relato, a leitura dentro da pré-campanha de Fernando Haddad é de que França precisa ter lugar assegurado na chapa paulista por representar hoje o principal nome do PSB em São Paulo, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin. A aposta entre aliados é que uma candidatura de Marina tenderia a perder força durante a campanha, num cenário em que o espaço da aliança já é disputado por outros nomes do campo governista.

Uma das alternativas ainda discutidas entre interlocutores seria a formação de uma chapa mais ampla, com três nomes ligados ao mesmo campo político na disputa ao Senado: Márcio França, Marina Silva e Simone Tebet. Nos bastidores, porém, há a avaliação de que esse desenho acabaria isolando ainda mais Marina e reduziria suas chances eleitorais.

A definição ainda não foi fechada. De acordo com a apuração, Fernando Haddad deve se reunir nesta semana com Marina Silva, Márcio França, Simone Tebet e lideranças da aliança para discutir a montagem da chapa em São Paulo.

O debate ocorre num momento em que pesquisas recentes mostram um cenário embaralhado na corrida ao Senado paulista. Levantamento Genial/Quaest divulgado em 29 de abril apontou Simone Tebet na dianteira numérica em cenários estimulados, com Márcio França entre os nomes mais competitivos e alto índice de indecisos. Em alguns cenários, Marina também aparece entre os nomes que disputam a liderança.

Outro levantamento, o Atlas/Estadão publicado em março, mostrou Simone Tebet, Guilherme Derrite e Marina Silva em empate técnico na disputa pelas duas vagas ao Senado em São Paulo.

Nos cenários discutidos pelo governo, França é visto como um nome com capacidade de dialogar com eleitores de centro, com o interior paulista e também com setores mais conservadores. Esse perfil, segundo a avaliação de aliados, ampliaria a margem de composição política da chapa em São Paulo.

O movimento ocorre em meio à reorganização das alianças no Estado e à tentativa de equilibrar interesses do PT, do PSB e de partidos aliados na formação de uma chapa competitiva para 2026. Por enquanto, a situação de Marina permanece em aberto, mas a avaliação interna no campo governista é de que seu espaço na disputa ao Senado ficou mais estreito.