O que explica candidatos religiosos não conseguirem ser eleitos em 2026

Várias lideranças religiosas tradicionais e parlamentares com décadas de atuação política e influência em algumas das principais igrejas do País não conseguiram se eleger nas eleições de 2026. Mas o que explica isso? Quais elementos contribuíram para esse resultado?
Alguns nomes que não conquistaram uma vaga neste pleito, por exemplo, foram: Gilberto Nascimento (Podemos), líder da bancada evangélica no Congresso Nacional; deputada estadual Edna Macedo (Republicanos), irmã do bispo Edir Macedo; deputado federal David Soares (Podemos) e seu irmão, deputado estadual Daniel Soares (União), filhos do missionário R.R. Soares; deputado federal Cezinha de Madureira (PL), pastor da Assembleia de Deus Ministério de Madureira; Padre Kelmon (PL), Padre Silvio Andrei (Avante), Mãe Su de Nanã (PSOL), entre outros.
De acordo com Luciano Gomes dos Santos, professor de Ciências Sociais do Centro Universitário Arnaldo Janssen, de Belo Horizonte, esse cenário pode ser compreendido a partir de uma combinação de fatores políticos, eleitorais e sociológicos. O primeiro aspecto é que a influência religiosa, embora continue sendo importante na sociedade brasileira, não garante automaticamente a eleição de um candidato.
“Ter visibilidade dentro de uma igreja, contar com o apoio de lideranças religiosas ou representar uma denominação com milhares de fiéis não significa, necessariamente, conseguir transformar esse capital religioso em votos suficientes para conquistar um mandato. O eleitor não toma sua decisão exclusivamente com base na religião, mas também considera a situação econômica, o emprego, a segurança pública, a saúde, a educação, a corrupção e a capacidade dos candidatos de responder aos problemas concretos da população”, explica o professor.
Outro elemento destacado pelo especialista é a diversidade existente dentro das próprias comunidades religiosas. “Não podemos tratar os evangélicos, os católicos ou qualquer outro grupo religioso como blocos políticos homogêneos”, pontua Santos.
“Os fiéis têm diferentes condições socioeconômicas, experiências de vida, orientações ideológicas e expectativas em relação ao Estado. Um eleitor pode compartilhar a fé de determinado pastor ou reconhecer a importância de uma liderança religiosa sem, necessariamente, concordar com suas posições políticas. Isso demonstra que a identidade religiosa influencia a escolha eleitoral, mas não determina integralmente o comportamento do eleitor”, acrescenta o cientista social.

