Marina Silva defende agronegócio e afirma que agenda ambiental é “economia pura”

A ex-ministra do Meio Ambiente e pré-candidata ao Senado por São Paulo pela federação PSOL-Rede, Marina Silva, afirmou que a preservação ambiental e a prosperidade econômica caminham juntas no Brasil, ressaltando que sua atuação na pasta ajudou a abrir mais de 500 mercados para o agronegócio nacional. Durante participação no programa Eleições 2026, do NeoFeed, ela destacou a queda substancial nas taxas de degradação florestal aliada ao crescimento da produção agrícola e rebateu a visão de setores que a enxergam como um entrave para o desenvolvimento do país.Play Video

“O agronegócio cresceu 2% no primeiro trimestre deste ano e o desmatamento caiu 50% nos últimos três anos”, pontuou Marina, reforçando a premissa de que o desenvolvimento econômico sustentável depende da integração entre ecologia e produção. “Nós não associamos ser uma potência agrícola a destruir os nossos biomas”, complementou ela, enfatizando que “a agenda do meio ambiente é economia pura”.

Tarifaço dos EUA e combate ao desmatamento

Durante a sabatina, conduzida pelos jornalistas Carla Jimenez e Ralphe Manzoni Jr., Marina comentou o novo tarifaço de 25% imposto pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros. A justificativa norte-americana utilizou dados de destruição florestal referentes à gestão de Jair Bolsonaro (PL) e do ex-ministro Ricardo Salles (Novo-SP) — que disputa uma das vagas ao Senado por São Paulo diretamente com Marina.

Agronegócio, mercados e biocombustíveis

Para Marina, a maioria dos produtores rurais brasileiros segue padrões éticos e tecnológicos, sendo prejudicada por uma minoria infratora. “Eu estive numa reunião com o Mercosul e mostrei que quem é contra o cumprimento da legislação ambiental é algo em torno de 1%. Só que é 1% barulhento, 99% dos agricultores têm produção por ganho de produtividade, de tecnologia e inovação. Mas eles não são vocais. E o 1% vocal tisna a imagem do Brasil e do agronegócio”, avaliou.

Ela destacou a criação do sistema de monitoramento em tempo real do desmatamento em 2004 e ressaltou as articulações internacionais que permitiram expandir as exportações do país: “Nós abrimos mais de 500 mercados para o agronegócio brasileiro. Eu sempre digo que a agenda com a qual eu trabalho é uma agenda econômica”.

Marina relembrou sua participação na cúpula do G7 na Itália, em 2024, onde defendeu o papel dos biocombustíveis na transição energética global contra restrições internacionais. No campo do financiamento verde, citou a mobilização de aproximadamente R$ 370 bilhões (cerca de US$ 350 bilhões em instrumentos combinados) voltados à agricultura de baixo carbono, reindustrialização verde e restauração florestal, inclusive em parcerias no mercado financeiro global ao lado do então ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de São Paulo.

Disputa eleitoral em São Paulo e instrumentalização da fé

Com uma trajetória política que abrange três candidaturas à Presidência da República e o mandato de deputada federal eleita por São Paulo em 2022 com 237,5 mil votos, Marina respondeu a provocações sobre suas origens políticas no Acre e comentários do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“Me elegi em 2022, no mesmo ano em que o Tarcísio veio do Rio de Janeiro para cá e se elegeu governador”, ironizou a pré-candidata, que recebeu o título de cidadã paulistana na década de 1990. Ela relatou o ambiente tenso e a polarização que presenciou em agendas pelo interior do estado, onde prefeitos preferiram não divulgar fotos ao seu lado por receio de retaliações políticas.

Sendo evangélica da Assembleia de Deus, Marina abordou o avanço do eleitorado evangélico e a presença de lideranças conservadoras, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A ex-ministra criticou veementemente a fusão entre religião e militância partidária.

“Ali começou essa instrumentalização da fé e por dois vieses que eu considero muito perigoso para uma democracia: o fundamentalismo político com fundamentalismo religioso. Você não pode nem instrumentalizar a política para a fé e nem a fé para a política, porque o Estado é laico”, advertiu.