Morre Walnir Ferro, coronel que evitou guerra por terras entre Acre e Rondônia, entenda

Em 1988, o Acre tinha como governadora Iolanda Fleming e o estado começou a fazer investimento nos distrito de Nova Califórnia e Extrema, chegando até a construir escolas e posto de saúde. A intenção era clara: demonstrar o desinteresse de Rondônia por aquela região para além do Madeira na divisa com a Bolívia e, na sequência pedir a anexação do território.
Jerônimo Garcia de Santana, o primeiro governador civil eleito de Rondônia, depois de muitos coronéis nomeados pelo presidente da República, designou o coronel Ferro e um pelotão de 600 policiais para se deslocar a Extrema, com a recomendação expressa de expulsar os invasores acreanos.
Por pouco não houve enfrentamento, mas, apesar da firmeza das palavras, Ferro era também um coronel diplomático e conseguiu dissuadir os acreanos da tentativa de tomar um pedaço de Rondônia.
Coronel Ferro estava internado em um hospital particular na região central da cidade e teve sua saúde agravada por problemas renais. Conhecido por sua disciplina, respeito e dedicação à corporação, Ferro deixou um legado inestimável para a história policial do estado.
Ferro iniciou sua carreira como Guarda Territorial, em 1969, seguindo os passos de seu pai, que também serviu na segurança pública. Posteriormente, ingressou na academia de oficiais e, após formação, tornou-se o primeiro oficial da Polícia Militar de Rondônia.
Entre suas muitas conquistas está sua atuação decisiva na pacificação do sistema penitenciário do estado. Ao assumir a Secretaria de Segurança em 2002, enfrentou e conteve rebeliões, sempre com um posicionamento firme e respeitoso. “Os presos me respeitavam porque eu os respeitava também”, declarou ele em entrevista.
O coronel sempre foi crítico em relação às ingerências políticas na segurança, alertando para a necessidade de um comando independente e focado na proteção da população. Seu comprometimento ia além da farda: era um estudioso da segurança pública e autor de uma biografia onde relatou importantes operações policiais das quais participou.
Além de sua carreira militar, Ferro também teve uma passagem marcante pelo futebol rondoniense, sendo campeão pelo Moto Clube nos anos 1960.
Nota Pública
A Polícia Militar de Rondônia, informa o falecimento na manhã desta segunda-feira, 17 de março de 2025, em Porto Velho, do coronel da reserva remunerada da Polícia Militar de Rondônia, Walnir Ferro de Sousa, aos 76 anos de idade. Coronel PM RR Ferro, nasceu na cidade de Guajará-Mirim, Rondônia, em 2 de maio de 1948. Ingressou na corporação em 12 de janeiro de 1977 até 27 de fevereiro de 1992, quando passou a reserva remunerada.
Agraciado na Polícia Militar com a Moeda Veteranis Honorem, Comemorativa Mérito de Trânsito – BPTRAN/PMRO, Mérito Batalhão Rondon – 1º BPM/PMRO, Jubileu de 40 Anos – PMRO, Mérito de Ensino – PMRO, Comemorativa dos 25 Anos de Criação da PMRO, Dedicação Policial Militar, Dedicação Policial Militar – 10 Anos, Mérito Forte do Príncipe da Beira – Grau Cavaleiro- PMRO.
O comandante-geral da Polícia Militar coronel PM Regis Braguin, disse que é sempre muito triste quando perdemos um profissional tão dedicado e valoroso como o coronel PM Walnir Ferro de Sousa. A sua trajetória na Polícia Militar de Rondônia e em outros segmentos da segurança pública é um testemunho do comprometimento e da coragem que ele demonstrou ao longo de sua carreira.
Neste momento de tristeza, o Comandante-Geral da PMRO, envia as condolências à família enlutada e amigos, o reconhecimento por seus grandes feitos que honram sua memória e inspira outros a seguirem seus passos. A simplicidade e a determinação em suas ações foram qualidades que fazem a diferença na vida das pessoas e na segurança da comunidade. Que seu legado continue vivo nas ações de seus colegas e na sociedade.
Coronel PM Regis Welington Braguin Silvério
Comandante-Geral da Polícia Militar de Rondônia

