Vício em redes sociais gera riscos para o cérebro e afeta comportamento

Uma “espiadinha” nas redes sociais é suficiente para tirar completamente o foco do estudante de química da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) Juan Pablo Miranda, de 21 anos. Ele percebeu que estava dependente das plataformas digitais quando, ao acessar a internet para fazer pesquisas acadêmicas, acabava deixando os estudos de lado e passava a maior parte do tempo rolando vídeos e posts.
“Além do mal-estar que elas causam, percebi que não consigo focar em fazer algo importante ou assistir a algum vídeo sem que eu tenha que dar uma ‘espiada’ no celular. Isso me tira do foco total e me faz perder o interesse no que estava fazendo antes”, disse o estudante.
A constante falta de concentração relatada pelo Juan é um alerta para o principal efeito do uso descontrolado das redes sociais: a perda de funções cognitivas do cérebro. Especialistas afirmam que a exposição prolongada às plataformas de interação virtual interfere, antes de tudo, no desenvolvimento biológico do ser humano.
“Quando falamos de desenvolvimento do cérebro, temos de lembrar que é o córtex o responsável principal pelas funções cognitivas, como a atenção, a memória, a linguagem, o planejamento, bem como o controle dos movimentos e a percepção do ambiente. O uso descontrolado das redes sociais pode interferir em capacidades metacognitivas do ser humano, como o pensamento, a reflexão e a abstração”, disse o pedagogo e doutor em educação pela Ufam Marcondes Nicácio.
O problema, segundo o educador, não está necessariamente em utilizar as plataformas digitais, afinal, as redes podem oferecer estímulos positivos e facilitar o acesso à informação. A preocupação está no consumo exagerado de conteúdos rápidos e superficiais, sem tempo suficiente para que a informação seja assimilada de maneira mais profunda.

