Advogada do Banco Master no Acre é acusada de falsificação de provas

Os jornais Metrópoles e Poder360 relatam que a advogada Michelle Santos Allan de Oliveira, responsável por processos envolvendo o Banco Master na Justiça do Acre, integra um grupo de três profissionais acusados de suposta manipulação de documentos e produção de provas fraudulentas em uma disputa judicial decorrente de um divórcio cujo patrimônio ultrapassa R$ 160 milhões. As acusações feitas contra Michelle na Bahia não guardam relação conhecida com sua atuação nos processos do Banco Master no Acre.

As denúncias foram apresentadas à Ordem dos Advogados do Brasil na Bahia (OAB/BA) em agosto e setembro de 2025 pelo empresário Lucas Queiroz Abud, ex‑marido de Fabiana Durand Gordilho. Além de Michelle, os advogados Ana Patrícia Dantas Leão e Eugênio de Souza Kruschewsky foram alvos da representação. Os três profissionais negam qualquer irregularidade e alegam ser vítimas de campanha de intimidação em razão da defesa prestada à cliente.

Investigação conduzida pelo jornalista Whidy Melo, do ac24horas, identificou a presença do Banco Master em, no mínimo, 92 ações de primeiro grau e 26 registros processuais de segundo grau no Tribunal de Justiça do Acre.

A própria consulta ao nome de Michelle Santos Allan de Oliveira no sistema judicial revela 136 processos de primeiro grau e 35 de segundo grau associados à advogada, muitos dos quais coincidem com o levantamento específico sobre o Banco Master.

Conforme reportagem do Poder360 de 21 de agosto de 2025, a representação foi protocolada na OAB da Bahia no dia anterior, solicitando a abertura de processo ético‑disciplinar contra os três advogados. A acusação está inserida em disputa judicial posterior ao divórcio de Lucas Queiroz Abud e Fabiana Durand Gordilho.

De acordo com o Metrópoles, o casal se divorciou consensualmente em 2019. Dois anos depois, os advogados da ex‑esposa passaram a questionar o acordo, alegando coação na assinatura e que parte do patrimônio do empresário ficou fora da partilha. Na representação, Lucas Abud acusa os profissionais de apresentarem informações e documentos supostamente falsos ou manipulados.

Entre as alegações, destaca‑se a afirmação de que a empresa Viva Ambiental e Serviços Ltda. teria sido criada durante o casamento, embora documentos mostrem sua constituição em 2003, enquanto o matrimônio ocorreu em 2006. Outra questão envolve a suposta quebra de sigilo bancário e fiscal do empresário por um processo em São Paulo. A documentação indica que a justiça paulista apenas requisitou o endereço do réu e, posteriormente, os advogados reconheceram um equívoco, afirmando que a quebra teria sido parcial.

A acusação mais grave refere‑se a supostas provas de violência doméstica. Os advogados apresentaram fotografias da cliente com lesões faciais e documentos médicos para sustentar que ela teria sofrido agressão nos Estados Unidos antes da assinatura do divórcio. Registros da Alfândega e da Proteção de Fronteiras dos EUA, fornecidos pelo empresário, comprovam que ele não estava no país na data indicada. Confrontados, os advogados alegaram “erro na leitura da data”, o que a defesa interpreta como tentativa deliberada de induzir o Poder Judiciário ao erro.

Em nota conjunta divulgada ao Metrópoles, Michelle Santos Allan de Oliveira, Ana Patrícia Dantas Leão e Eugênio de Souza Kruschewsky afirmam representar Fabiana Durand Gordilho em ação de produção antecipada de provas que tramita há mais de quatro anos. Eles sustentam que passaram a ser alvos de medidas adotadas pelo ex‑marido da cliente após a quebra do sigilo fiscal e classificam as acusações como tentativa de cercear o exercício da advocacia, descrevendo‑as como campanha para “criminalizar a advocacia”.

A assessoria da OAB – Seccional Acre informou que Michelle possui inscrição suplementar na OAB/AC, enquanto sua inscrição principal está vinculada à OAB da Bahia. A entidade explicou que a virtualização dos processos permite que advogados mantenham inscrições suplementares em outros estados onde atuam, prática comum para garantir o exercício regular da profissão. Além do Acre, a advogada tem inscrições suplementares em Alagoas, Amazonas, Distrito Federal, Pernambuco, São Paulo e em outros estados.

Com informações do ac24horas