Com mais da metade dos indígenas fora da vacinação contra a Covid-19, entidades irão ao STF

A emoção de ver os primeiros indígenas sendo vacinados contra a Covid-19 no Brasil convive com mais um capítulo do longo embate entre os representantes dos povos originários e o governo federal em torno da gestão da pandemia de coronavírus entre as etnias.

O Ministério da Saúde resolveu imunizar apenas os indígenas “aldeados”, definição que exclui não só os indivíduos que vivem em centros urbanos mas também aqueles que vivem em reservas que não foram demarcadas e estão em em disputa territorial que o governo Bolsonaro paralisou.

Representante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) em ação no STF sobre o socorro a essas populações, que são mais vulneráveis a vírus respiratórios, o advogado Luiz Henrique Eloy, membro da etnia Terena de Mato Grosso do Sul, disse ao Metrópoles que deve fazer uma petição à Corte ainda nesta semana solicitando o fim da discriminação. “Mesmo a estimativa oficial é desatualizada. Temos mais de um milhão de indígenas no Brasil”, afirma ele.

Movimentos sociais indígenas têm protestado desde que o plano de vacinação foi anunciado. A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) argumentou em nota que “considerando que o reconhecimento da identidade indígena deve ser pautado pelo critério de autoidentificação, sem discriminação (Convenção 169, da OIT), é dever do Estado efetivar políticas de atenção da saúde em caráter prioritário aos povos indígenas em todos os contextos, sem distinção”.