Suspeito de matar namorada e manter corpo em casa no Acre é preso na Argentina

Daniel Néstor Guzmán, de 40 anos, foi preso na Argentina após ser investigado pela morte de Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, em Rio Branco, há pouco mais de 1 mês. Segundo a investigação, após o crime, o suspeito teria usado o celular da jovem para enviar mensagens às irmãs dela, fingindo ser a própria vítima, enquanto o corpo permanecia no apartamento onde os dois moravam.

Guzmán foi capturado na noite de 9 de outubro, em um terminal rodoviário de Presidencia Roque Sáenz Peña, na província de Chaco. A prisão foi divulgada pela Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (19) e ocorreu após um trabalho conjunto com a Polícia Civil do Acre (PCAC) e as autoridades argentinas.

O corpo de Maria Ramona foi encontrado em 2 de setembro, no banheiro do apartamento em que ela vivia, no bairro Conquista, em Rio Branco. Em entrevista exclusiva ao Contilnet, o delegado Alcino Ferreira informou que a jovem foi morta com golpes de faca e por enforcamento. Conforme a apuração policial, o crime teria ocorrido entre a madrugada de domingo (30) e a segunda-feira (31) de agosto.

De acordo com o delegado, o suspeito teria permanecido no imóvel após a morte e mantido contato com familiares da vítima usando o telefone dela. Ele também teria conversado com o motorista de aplicativo que havia transportado a jovem até sua residência.

Investigação levou à prisão na Argentina

A Polícia Civil do Acre reuniu elementos para identificar Guzmán e solicitar sua prisão preventiva, autorizada pela Justiça. Como o investigado havia deixado o Brasil, as autoridades recorreram à cooperação internacional para localizá-lo.

O argentino era alvo de uma notificação vermelha da Interpol, emitida em 24 de setembro, que auxiliou na busca fora do território brasileiro. A Polícia Federal coordenou a articulação internacional por meio do Centro de Cooperação Policial Internacional do Rio de Janeiro (CCPI-RJ) e do Núcleo de Cooperação Internacional do Acre (NCI/AC), em conjunto com a Interpol e as forças de segurança argentinas.

A captura foi realizada pela Polícia da Província de Chaco. O delegado-geral da Polícia Civil do Acre, Pedro Paulo Buzolin, destacou a importância da colaboração entre as instituições para localizar o investigado.

Segundo Buzolin, a Polícia Civil conduziu as apurações e solicitou a prisão preventiva, enquanto a Polícia Federal atuou na cooperação internacional que permitiu a localização e a captura do suspeito. Para o delegado-geral, deixar o país não pode ser uma forma de escapar da responsabilização judicial.

Suspeito já foi condenado por outro assassinato

Guzmán já havia sido condenado pelo assassinato de Betzabeth Miguelina Adam Daza, de 23 anos, que estava grávida de seis meses. O crime ocorreu em julho de 2018, em Boa Vista, Roraima, e, em 2022, o Tribunal do Júri daquele estado determinou uma pena de 24 anos de prisão.

Quando passou a ser investigado pela morte de Maria Ramona, o argentino cumpria pena em regime semiaberto e utilizava tornozeleira eletrônica. A investigação sobre o novo caso levou ao pedido de prisão preventiva e, após sua saída do Brasil, à mobilização dos mecanismos internacionais de busca.

Guzmán permanece à disposição da Justiça argentina. Os procedimentos para sua extradição ao Brasil estão em andamento, e a Polícia Civil do Acre informou que continuará acompanhando o caso para que ele responda perante a Justiça brasileira pela morte da jovem.