Família aponta sinais vitais durante velório de homem no Acre e denuncia negligência

Os familiares afirmam que perceberam sinais que interpretaram como batimentos cardíacos, mesmo após a morte ter sido atestada e o corpo liberado pelo Instituto Médico Legal (IML).
A família de Diemerson de Souza Ângelo, que morreu após sofrer um acidente de motocicleta em Cruzeiro do Sul, no domingo, 4 de outubro, suspeita que ele ainda estivesse vivo durante o próprio velório. Os familiares afirmam que perceberam sinais que interpretaram como batimentos cardíacos, mesmo após a morte ter sido atestada e o corpo liberado pelo Instituto Médico Legal (IML). O caso levou a família a procurar atendimento médico em Guajará, no Amazonas, e aumentou as suspeitas de possível negligência no Hospital do Juruá.
Segundo a irmã de Diemerson, durante o velório, a família percebeu sinais que levantaram dúvidas sobre a morte e decidiu acionar a polícia. O corpo foi levado ao hospital de Guajará, onde, conforme o relato, um médico teria identificado frequência cardíaca e iniciado os preparativos para transferir o homem novamente ao Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul. ”Chegando ao hospital de Guajará, ele ainda tinha frequência cardíaca. O médico ficou impressionado, pediu para as enfermeiras filmarem e já estava providenciando ambulância e maca para tirar meu irmão do caixão e levar de volta ao Juruá”, contou a irmã.
Ainda conforme a familiar, o médico de Guajará entrou em contato por telefone com um profissional do Hospital do Juruá que havia atestado a morte de Diemerson. Após a conversa, a família foi informada de que o motociclista estava realmente morto e o corpo retornou ao velório. “Por que ele deu tanta certeza de que meu irmão estava com batimentos e depois mandou trazer de volta para o velório? A família quer respostas”, questionou.
Família também denuncia possível negligência no atendimento
Além das dúvidas sobre a confirmação da morte, os familiares denunciam possível negligência médica durante o período em que Diemerson permaneceu internado no Hospital do Juruá.
O acidente de motocicleta aconteceu por volta das 15h de domingo, 4. Diemerson foi socorrido e encaminhado ao hospital, onde passou por uma tomografia que identificou uma lesão na cabeça.

Segundo a irmã, apesar das dores intensas, ele permaneceu durante horas em uma maca no corredor da unidade, aguardando avaliação de um especialista.“Meu irmão permanecia no corredor, em cima de uma maca, gritando de dor e pedindo ajuda. Deram dipirona no soro e deixaram ele lá, vomitando. À noite, levaram para uma sala de observação”, relatou.
Na segunda-feira, 5, uma neurologista avaliou o paciente e, conforme a família, informou que ele apresentava um edema cerebral, mas que não havia indicação de cirurgia naquele momento. O procedimento seria considerado caso o quadro se agravasse.
A irmã afirma que Diemerson apresentou piora nas horas seguintes, mas não foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).“Meu irmão já não abria os olhos, começou a sair uma secreção pelo nariz. Não levaram ele para a UTI. A família se pergunta por que não fizeram a drenagem enquanto o edema ainda estava pequeno”, afirmou.
Na terça-feira, 6, por volta das 5h, a mãe de Diemerson, que o acompanhava no hospital, percebeu que ele estava sendo levado em uma maca. Pouco depois, segundo os familiares, recebeu a notícia da morte do filho.
Após a liberação do corpo pelo IML, a família iniciou o velório, quando surgiram as suspeitas de que ele ainda pudesse estar vivo.
Os familiares afirmam que pretendem buscar esclarecimentos sobre o atendimento médico, os procedimentos realizados e as circunstâncias da confirmação do óbito.“A gente vai lutar por justiça pelo Diemerson. Meu irmão pedia ajuda, gritava de dor e ninguém fazia nada. A família tinha esperança de trazer ele para casa”, desabafou a irmã.
Por Sandra Assunção

