Projeto criado por estudantes de medicina revoluciona atendimentos no Acre

O desejo de ajudar a população do estado onde nasceu e foi criada motivou a estudante de medicina acreana Ana Rita Marques Parrilha, de 19 anos, a desenvolver o Projeto Caminhos da Saúde, que reuniu 32 alunos de medicina e seis médicos voluntários para oferecer atendimento gratuito à população de Feijó, no interior do Acre.

Durante a expedição, que teve início na última quinta-feira (16) e foi encerrada nessa segunda (20), os voluntários atenderam moradores da zona urbana, rural e pessoas que viajaram de colônias e seringais em busca de atendimento. No total, foram mais de 800 atendimentos feitos no período.

A ação contou com profissionais de diferentes áreas, como ginecologia e obstetrícia, medicina da família e comunidade, clínica médica, oftalmologia, psiquiatria e pediatria.

Segundo a idealizadora e presidente do projeto, parte da equipe também foi até a Aldeia Belo Monte, onde foram feitos atendimentos à população indígena.

“Nosso público-alvo é a população da região Norte e, nessa edição específica, a população de Feijó, tanto pessoas da zona rural quanto da zona urbana. A gente atendeu muita gente que veio de colônia, que veio de seringal, o pessoal que morava na cidade”, explicou.

No total, foram feitos 866 atendimentos, sendo:

  • 162 em ginecologia e obstetrícia;
  • 86 em psiquiatria;
  • 251 em oftalmologia;
  • 144 em pediatria;
  • 128 em clínica médica;
  • 95 em medicina de família e comunidade

Projeto

A ideia de criar o projeto surgiu ainda nos primeiros meses da faculdade. Nascida e criada em Rio Branco, Ana deixou o Acre após concluir o ensino médio para estudar medicina em outro estado. Atualmente, ela mora em Araras, no interior de São Paulo.

A estudante contou ainda que durante uma conversa com uma professora que atua no Sistema Único de Saúde (SUS), ela relatou sobre a vontade de contribuir com a população acreana.

“Eu sempre tive muita vontade de fazer voluntariado e queria muito poder ajudar aqui. Eu não tinha ideia de que conseguiria ajudar tão cedo e de uma forma tão bacana”, relatou.

A partir da conversa, a acreana começou a estruturar o projeto com uma amiga e outros estudantes, além de orientação de um professor. Atualmente, a diretoria é formada por seis acadêmicos de diferentes etapas da graduação, desde o ciclo básico até o internato, além de médicos de diversas especialidades.

Expedição

O planejamento da expedição à cidade acreana começou a cerca de um ano e meio antes da ação. A escolha de Feijó, segundo Ana Rita, ocorreu após uma articulação com a prefeitura do município, que também ofereceu apoio logístico para a execução dos atendimentos nas unidades de saúde e na aldeia.

A rotina começava pela manhã e, a depender da quantidade de pacientes, se estendia até o fim da tarde. Em alguns dias, os voluntários permaneceram nos locais após o horário inicialmente previsto para conseguir atender a demanda.

Para a acreana, retornar ao estado para promover a ação teve um significado especial, com a experiência marcada pela receptividade da população.

“Muitos pacientes deram feedbacks positivos para a gente. Muitos ficaram muito felizes, emocionados, a gente se emociona também. Foi muito lindo, uma experiência que eu tenho certeza de que ninguém vai esquecer”, disse.

Segundo ela, ainda não há definição de quando será feita uma nova edição do projeto ou se a ação vai continuar no Acre. De acordo com Ana Rita, a diretoria deve discutir os próximos passos.

“Eu gostaria muito que continuasse sendo no Acre, porque, para mim, tem um significado muito grande. A gente adoraria voltar e ficar mais tempo. […] foi muito legal, o projeto cresceu muito. Eu estou muito, muito feliz com o resultado”, afirmou.

g1