Presidente declara estado de emergência na Bolívia após semanas de protestos

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, declarou ontem estado de exceção no país após amis de seis semanas de protestos, que levaram ao bloqueio de várias rodovias. A medida foi anunciada horas após um acordo para pacificar o país, assinado na sexta-feira com líderes da Central Operária Boliviana (COB), a maior central sindical do Equador.

Mas, a decisão da Federação Camponesa Túpac Katari e de agricultores de Chapare, reduto do ex-presidente Evo Morales, de continuarem as manifestações exigindo a renúncia de Paz, foi a gota d’água para o presidente.

Em discurso na TV, Paz declarou que havia instruído a Polícia Boliviana e as Forças Armadas a realizarem as ações necessárias para “restabelecer o direito de ir e vir, recuperar as rodovias e garantir a segurança da população”. A economia perdeu bilhões de dólares devido aos protestos, que o presidente classificou como uma “tentativa de golpe de Estado do narcoterrorismo”.

“Os bolivianos não podem continuar sendo reféns de bloqueios que os impedem trabalhar, estudar, receber atendimento médico, abastecer e levar sustento para suas casas”, escreveu Paz nas redes sociais.

O decreto, publicado horas depois no Diário Oficial da Bolívia, terá validade máxima de 90 dias, mas ainda deve ser ratificado pelo Congresso.

Os ministérios do Governo e da Defesa informaram que devem emitir resoluções conjuntas para restringir os direitos de circulação, reunião e liberdade de movimento, quando necessário. Ao jornal La Razón, o ministro da Economia, José Gabriel Espinoza, garantiu que o estado de exceção terá uma aplicação focalizada e não implicará restrições para a população nas regiões onde não há conflitos ou barricadas.

Operários, agricultores e indígenas iniciaram uma greve e bloqueios de estradas no início de maio para exigir que o governo resolvesse a crise econômica, a pior que o país enfrenta em quatro décadas, e protestar contra a venda de gasolina de má qualidade, que gerou amplo descontentamento.

Diante da falta de acordos, os setores passaram a exigir a renúncia do presidente, e os bloqueios de estradas se espalharam pelo país. Confrontos com a polícia também foram relatados por vários dias em La Paz, que, juntamente com sua vizinha El Alto, sofre com escassez de alimentos, medicamentos e combustível.