Amigos, familiares e alunos se despedem de educadoras mortas em colégio no Acre

Familiares, amigos e ex-alunos se despedem das inspetoras Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 36, mortas durante o ataque a tiros no Instituto São José em Rio Branco.

O velório de Raquel ocorreu na capela da Funerária São João Batista e o enterro às 17h no Cemitério Morada da Paz. O corpo de Alzenir foi velado na casa da mãe dela, na Rua Triunfo, bairro Cidade Nova, e o sepultamento ocorreu às 16h30 no Cemitério São João Batista.

“Vai ser inesquecível para todas as pessoas que conviveu com ela. Nunca teve treta com ninguém, sabia lidar com todo tipo de situação. Morreu para salvar vidas. Não sei como é que vai ser da minha vida agora para frente”, falou abalado o marido de Alzenir, Roberto Bernardo

As duas inspetoras, uma aluna, de 11 anos, e outra servidora do colégio foram baleadas nessa terça (5). Os feridos foram levados para o pronto-socorro da capital e receberam alta no mesmo dia. A polícia confirmou que o suspeito é um aluno do colégio, de 13 anos, que entrou armado na escola e foi apreendido após os disparos. A arma é do padrasto dele.

Alzenir e Roberto eram casados há 33 anos, têm dois filhos e sete netos. Ele contou também que a esposa amava o que fazia e era uma profissional dedicada e amada por todos.

“Tudo que ia fazer usava a profissional. O amor, o carinho, tudo que ela fazia era com amor, sem pedir nada e troca. Nunca cobrou nada, sempre fez de coração. Não importa se a pessoa ir retribuir pra ela, não importava”, complementou.

Kayenne Victoria, de 23 anos, estudou no Instituto São José até 2020 e conviveu com a tia Zena, como Alzenir era carinhosamente chamada.

“Era uma pessoa boa, que acolhia a gente, era uma tia. Estudei naquele colégio durante 13 anos, mesmo depois de formada, a gente receber essa notícia, foi algo muito duro. Mas, a memória que temos dela é de uma pessoa amorosa e que se doava por completo”, recordou.

Amiga de infância de Alzenir, Madalena de Lima, de 54 anos, também era vizinha da inspetora. “Nasci e me criei aqui ao lado da casa dela, era uma pessoa maravilhosa, estava sempre presente, uma boa filha, boa mãe, esposa. Pelo que sei, ninguém tem queixa dela, participava de tudo, dava atenção a todos, sempre sorrindo, resolvia tudo lá”, falou.

Amigas prestaram homenagens

Estudante do último período do curso de enfermagem, Raquel trabalhava há cinco anos na escola e sonhava em terminar o curso e começar a trabalhar na área da medicina.

Um grupo de estudantes foi de jaleco para o velório como forma de homenagear a amiga. Raquel era casada e tinha um filho de 7 anos.

Muito abaladas, as amigas de Raquel relembram que ela era uma pessoa alegre, descontraída e com um coração bom. Ao g1, Valéria Mendes contou que Raquel estava na fase final do curso, elaborando o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

“Na próxima semana a gente ia se reunir com a professora para a correção. Nosso grupo do TCC sou eu, a irmã dela, Raiane, e a Karem. Nossa tema é sobre lavagem das mãos”, contou.

Ainda conforme a estudante, Raquel tinha se reunido com as amigas na noite anterior para falar sobre o projeto de conclusão de curso.

“O sonho dela era terminar a faculdade, sair da educação e arrumar um emprego na área da enfermagem”, destacou.

Mesmo com uma rotina cansativa, dividida entre trabalho e faculdade, Valéria destaca que Raquel estava sempre alegre e não tinha tempo ruim para ela. “Mesmo cansada sempre tava sorrindo, nosso grupo tinha um foco: todas juntas até o final. Esse nosso grupo é desde no início da faculdade e todas davam força uma para outra”, disse emocionada.