Acre e mais seis estados não definiram se retomam aulas presenciais para todos em 2022
Depois de dois anos sem oferecer aulas presenciais para todos os alunos, sete estados do país ainda não definiram se vão retomar as atividades escolares de forma integral em 2022. Juntos, eles reúnem 1,5 milhão de estudantes que ainda não podem ir todos os dias para a escola.
Um levantamento feito pelo Instituto Articule identificou que Acre, Amapá, Amazonas, Paraíba, Roraima, Rio Grande do Norte e Tocantins ainda não têm sequer previsão de quando suas escolas estaduais voltarão a permitir a frequência de todos os alunos. Enquanto isso, os colégios particulares desses estados já estão há meses com atividades presenciais todos os dias.
Desde o início da pandemia, especialistas e gestores da área alertavam que a ausência de uma coordenação nacional poderia aumentar as desigualdades educacionais do país, já que municípios e estados mais pobres teriam mais dificuldade para lidar com as consequências do fechamento de escolas. Apesar de contrário à suspensão das aulas presenciais, o Ministério da Educação não desenvolveu nenhuma ação ou plano para ajudar a organizar este retorno.
Uma pesquisa do Datafolha mostrou que a reabertura desigual das escolas no Brasil tem prejudicado mais os alunos negros, pobres e os que moram no Norte e Nordeste.
“Diante de todo o contexto que vemos nesses estados, podemos inferir que manter as escolas no formato híbrido não se trata de uma questão ligada às condições epidemiológicas, porque elas são hoje muito favoráveis. Tudo indica ser mais um resultado da dificuldade de tomar a decisão da volta e da falta de recursos para garantir o retorno seguro”, diz Alessandra Gotti, presidente-executiva do instituto.
“Não podemos nos acomodar com essa situação, quando todo o restante do país já está oferecendo aulas todos os dias para os seus alunos. O resto do mundo também já voltou. Esses estados vão ficar ainda mais para trás”, completa Gotti.

