PL cria indenização de R$ 100 mil a famílias de mortos por falta de oxigênio no Amazonas
Familiares de pessoas mortas em decorrência da falta de oxigênio nos hospitais da rede pública do Amazonas poderão requerer indenização do governo do Estado no valor de R$ 100 mil, caso a Assembleia Legislativa aprove o Projeto de Lei n° 285/2021, da deputada Nejmi Aziz (PSD).
A falta de oxigênio no estado ocorreu em janeiro desde ano, mês em que foi registrado o maior número de mortes por Covid-19 no Amazonas. Foram 3.629 óbitos, sendo 2.892 em Manaus e 737 no interior do Estado.
Caso o Executivo sancione a lei para indenizar os parentes das vítimas, admitirá responsabilidade pelas mortes por incapacidade de fornecer oxigênio.
Quando o desabastecimento atingiu níveis mais graves, a FVS (Fundação de Vigilância em Saúde) registrou 82 mortes, 76 na capital e 6 no interior, no dia 14 de janeiro, e 55 mortes no dia seguinte, 48 em Manaus e 7 no interior.
Em depoimento na CPI da Covid, o ex-secretário de Saúde do Amazonas Marcellus Campêlo, que exercia o cargo em janeiro, admitiu que houve desabastecimento de oxigênio nos hospitais de Manaus nos dias 14 e 15, e que faltou o produto no mercado por 20 dias.
Familiares de doentes hospitalizados buscavam comprar cilindros de oxigênio por conta própria para tentar evitar que seus parentes morressem por asfixia.
Projeto de lei
O projeto determina que os requerentes devem apresentar pedido direcionado ao governo do Estado comprovando com atestado de óbito que a morte foi em decorrência de falta de oxigênio.
A análise deverá ser rápida, segundo a proposta. O governo do estado terá prazo máximo de 15 dias úteis para decidir se aceita ou não o pedido de indenização que, se aprovado, deverá ser pago em até 30 dias úteis após a decisão.
A indenização prevista de R$ 100 mil é por vítima. Se houver mais de um beneficiado o valor será dividido em partes iguais.

