Celular causa ansiedade, irritação e falta de interesse nas crianças

A filha da terapeuta manauara Glaucimar Almeida ganhou um celular aos 10 anos de idade. A mãe adiou ao máximo o acesso da criança ao aparelho por acreditar que o uso precoce poderia trazer prejuízos ao aprendizado e ao desenvolvimento infantil.
“Eu falo para a minha filha que ela precisa ter consciência, porque a criança não tem estrutura para entender que aquele aparelho pode prejudicá-la a longo prazo. A criança não deve ter celular e, quando tiver, é necessária a supervisão de um adulto”, disse Glaucimar.
Hoje, aos 11 anos, a menina utiliza o celular de forma supervisionada, mas a mãe relata que enfrentou resistência ao impor limites para o uso do aparelho. “Eu percebia que, quando ia tirar o celular, ela ficava indignada e irritada. Eu colocava vídeos educativos para ela assistir e explicava para ela: ‘você está vendo como você está se comportando?’ Eu tento mostrar que nós temos uma vida real a ser vivida, fora das telas”, contou.
Impactos no aprendizado
Crianças menores de 5 anos que usam diariamente o celular aprendem menos. Essa é a conclusão de um estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) publicado em maio. A pesquisa foi realizada com 25 mil crianças de 5 anos em nove países, incluindo o Brasil, e revelou que o uso diário desse aparelho prejudica habilidades cognitivas e socioemocionais. No Brasil, participaram crianças dos estados de São Paulo, Ceará e Pará.
De acordo com os dados, em média, as crianças que usam o celular todos os dias obtiveram 11 pontos a menos em habilidades de compreensão de números e medidas e 10 pontos inferiores em vocabulário em relação àquelas que não fazem uso diário do aparelho. O levantamento também revelou defasagem em Matemática, em que o desempenho ficou 44 pontos abaixo da média registrada entre os países participantes da pesquisa.

