Flávio diz que vai pedir cassação de chapa do PT e que Moraes ordenou entrega de passaportes

Flávio publicou um vídeo nas redes sociais em que agradece aos quase 60 milhões de votos, algo que não tinha feito até então, e repetiu que a eleição ocorrida no domingo “não foi normal”, colocando suspeição sem fundamento sobre o processo eleitoral. Ele reclamou da prorrogação feita pelo Supremo Tribunal Federal (STF), medida que sua própria campanha havia pedido à Justiça Eleitoral.

“Eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo. A competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu. Não fui eu que perdi, foi sistema que ganhou”, declarou o senador.

Com isso, o senador faz uma mudança no discurso. No pronunciamento à imprensa na noite do domingo, após o resultado das urnas, ele havia dito que pediria a “anulação” da eleição, sem reconhecer a derrota. Agora, ele pede a cassação da chapa, sem mencionar a promessa do dia anterior.

Ele acusa Lula de ter feito a “maior compra de votos da história”, num “vale-tudo para se manter no poder”. Ele argumenta que o governo federal gastou “quase meio trilhão de reais” neste ano, o que teria gerado um “total desequilíbrio da disputa eleitoral”.

Em seguida, Flávio afirmou ter sido abordado nesta manhã pela Polícia Federal, após ele fazer uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária num condomínio no Lago Sul de Brasília. Ele cumpre a pena de 27 anos e três meses de prisão após ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e outros crimes pelo STF.

“Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele (Bolsonaro) e, no meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o País. A decisão, do Alexandre de Moraes, se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro, ‘que eu deveria deixar o País se eu perdesse a eleição’. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?”, afirmou.

O senador disse que a decisão de Moraes foi tomada no domingo à noite, logo depois do anúncio do resultado da eleição, e questionou se isso teria acontecido caso ele tivesse sido eleito presidente. Declarou que a “democracia faliu” no Brasil, que vai entregar o passaporte à PF e que “vai se defender dessa aberração”.

Apesar de não ter reconhecido expressamente a derrota, Flávio se colocou como um líder da oposição ao próximo mandato de Lula. Disse ser “o último obstáculo para o PT implementar seu projeto de destruição do País” e que vai reunir os deputados federais e senadores do PL para organizar a oposição contra o presidente.

A partir do ano que vem, Flávio, eleito senador em 2018, não terá mais mandato nem foro privilegiado. Seu irmão, Carlos Bolsonaro, e sua madrasta, Michelle Bolsonaro, foram eleitos ao Senado. O pai está inelegível até 2030, e o irmão Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos Estados Unidos após ter o mandato cassado na Câmara dos Deputados por falta.

Na decisão de Moraes também consta a proibição de Flávio manter contato com o advogado Willer Tomaz. Na sexta-feira, 23, Moraes determinou o bloqueio de bens móveis e imóveis e o sequestro de R$ 6 bilhões das contas de Tomaz, alvo de investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro para Flávio.

O Ministério da Fazenda identificou que o advogado foi a pessoa que mais fez aporte em bets no país em 2025, com depósito de R$ 258 milhões e apostas de R$ 5 bilhões. Além dos bloqueios de bens, Moraes também determinou o cancelamento dos passaportes do advogado, sob argumento de que ele viajou para o exterior após se tornar alvo de investigações da Polícia Federal.