Uma eleição, vários favoritos e nós, eleitores com cara de abestados

Se alguém pretendia confundir o eleitor acreano nesta eleição de 2026, a guerra das pesquisas está dando uma enorme contribuição. Uma divulgação coloca Alan Rick nas alturas. Outra apresenta Mailza como um foguete. O eleitor acompanha, compara, tenta entender e termina com a mesma pergunta: afinal, em quem acreditar?
Tenho a impressão de que estamos vivendo uma das eleições mais maluas da história do Acre. Não apenas pela disputa entre os candidatos, mas pelo desfile de números que, em vez de esclarecer o cenário, parece embaralhar ainda mais a cabeça de quem vai às urnas.
É levantamento para cá, comemoração para lá, gráfico subindo, adversário caindo. Cada grupo se agarra à pesquisa que lhe favorece como se já estivesse com a chave do Palácio Rio Branco no bolso. Quando os números são bons, o instituto é respeitável. Quando são ruins, a pesquisa não presta. A conveniência virou régua de credibilidade.
E nós, eleitores? Ficamos no meio desse tiroteio de porcentagens, com cara de abestados, tentando descobrir qual retrato se aproxima da realidade.
Pesquisa não precisa apresentar resultado idêntico ao de outra pesquisa. Datas, métodos, amostras e margens de erro podem produzir diferenças. Mas essa explicação não pode virar uma cortina atrás da qual qualquer discrepância fica dispensada de esclarecimento. Quanto maior a diferença, maior deve ser o esforço para explicá-la de maneira compreensível.
Não basta jogar uma tabela na frente da população e esperar que ela aceite tudo de cabeça baixa. Quem divulga números que interferem no debate público precisa estar disposto a responder perguntas. Como foram feitas as entrevistas? Quando? Onde? Quem pagou pelo levantamento? O que permite comparar aquele resultado com os demais?
O cidadão merece informação suficiente para avaliar o que está lendo. Afinal, pesquisa eleitoral tem peso. Vira manchete, discurso, vídeo, argumento de campanha. Alimenta o entusiasmo de uns e o desânimo de outros. É justamente por isso que exige responsabilidade.
Também cabe cobrar das autoridades responsáveis pela fiscalização eleitoral atenção às dúvidas levantadas e apuração quando houver indícios concretos de irregularidade. Divergência entre resultados, sozinha, não comprova fraude. Mas nenhuma suspeita fundamentada deve ser desprezada, assim como nenhum instituto deve estar acima de prestar esclarecimentos.
O que não dá é exigir confiança sem oferecer transparência.
Quem será eleito governador do Acre? Alan, Mailza, Bocalom, Thor? A resposta será dada pelo voto. Até lá, transformar cada levantamento em proclamação antecipada de vitória só aumenta a confusão e desgasta a credibilidade de quem deveria ajudar a compreender a disputa.
Minha preocupação vai além de descobrir qual instituto chegará mais perto do resultado. O prejuízo maior pode ser a desconfiança que ficará depois. Quando o eleitor começa a tratar toda pesquisa como peça de campanha, perde-se uma referência importante para o debate público.
E essa confiança não será recuperada com uma nota protocolar depois da eleição. Será preciso explicar os resultados, reconhecer limitações e responder pelos erros.
Desta vez, a sensação é de que a guerra dos números passou dos limites. O Acre precisa de esclarecimento, não de mais uma rodada de gráficos acompanhados de foguetório.
Porque, no fim das contas, quem entra na cabine é o eleitor. E ele merece chegar lá bem informado, sem precisar adivinhar qual pesquisa merece sua confiança.
Por Wania Pinheiro

