Brasileiros depositaram R$ 221 bi em bets no ano passado, mostram dados da Fazenda

As bets autorizadas a atuar em nível federal receberam R$ 220,6 bilhões em depósitos durante o ano de 2025, mostram dados do Ministério da Fazenda obtidos via lei de acesso à informação.
Desse total, R$ 36,9 bilhões representaram o saldo negativo para os apostadores e se converteram em receitas para as casas de apostas. O restante, R$ 183,7 bilhões, foi destinado ao pagamento de prêmios e oferta de bônus sacáveis -valores promocionais que o jogador pode retirar a qualquer momento, e a bet pode deduzir de suas receitas para fins contábeis.
É a primeira vez que a Fazenda divulga essa informação, disponibilizada ainda em caráter preliminar. “Os dados podem sofrer alterações até a conclusão dos procedimentos de conferência e consolidação”, diz a secretária de Prêmios e Apostas (vinculada à Fazenda), Daniele Correa Cardoso, na resposta enviada à reportagem.
A receita das casas de apostas representou 16,7% dos depósitos. O valor ficou acima da retenção máxima imposta por lei de 15% e da taxa de 7% anunciada pelo setor, o que reforça a tendência de ganho das bets sobre os jogadores no longo prazo.
Como o dinheiro do apostador é limitado, a retenção anunciada pelas bets funciona como uma taxa implícita maior do que o valor capturado por cada rodada.
Segundo as regras do setor, 88% do faturamento ficou com as bets e 12% com a União e outras entidades beneficiadas pela regulamentação, como grupos beneficentes que recebem repasses -essa fatia será de 13% neste ano e subirá a 15% em 2028.
Depois, incidem os impostos federais, estaduais e municipais sobre as empresas. Balanços vistos pela reportagem, como o da Blaze, indicam uma margem de lucro por volta de 30%, uma parcela comparável à de um banco de investimentos, como o BTG Pactual. A maior parte do orçamento das empresas vai para publicidade, e, como as equipes são pequenas, o custo com funcionários é baixo.
De acordo com o levantamento, o mês com maior volume de depósitos foi outubro, quando o Campeonato Brasileiro se encaminhava para a fase final, e avançavam as fases eliminatórias das copas continentais, Sul-Americana e Libertadores.
Em média, 9,25 milhões de pessoas apostaram a cada mês, com pico de 10,82 milhões de apostadores também em outubro. Ao longo de todo o ano, 25 milhões de brasileiros registraram apostas.
Os números oficiais da Fazenda, que monitora os depósitos nas contas das casas de apostas por meio do Sigap (Sistema de Gestão de Apostas), ficaram R$ 130 bilhões abaixo da estimativa do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda), divulgada no último mês de julho.

