Marina Silva reage a tarifaço de Trump e mira família Bolsonaro

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, saiu em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (16), após o governo de Donald Trump anunciar uma nova tarifa de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos.

Em uma publicação nas redes sociais, Marina afirmou que a medida pode prejudicar a indústria, a agricultura e o mercado de trabalho brasileiro. A ministra também acusou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro de atuar contra os interesses do país para obter vantagens políticas.

“O governo Trump anunciou mais um tarifaço sobre produtos brasileiros. Isso fere a nossa indústria, a nossa agricultura e tira emprego, renda e esperança de milhões de pessoas” escreveu.

O novo tarifaço foi anunciado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, após uma investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial americana. O órgão afirma ter identificado problemas relacionados ao comércio digital, ao sistema de pagamentos Pix, à propriedade intelectual, ao mercado de etanol e ao combate ao desmatamento ilegal.

Marina acusa família Bolsonaro de agir contra o Brasil

Na publicação, Marina Silva afirmou que o ponto mais grave da crise seria a atuação de uma família brasileira para que uma potência estrangeira impusesse sanções comerciais ao país. Embora não tenha citado os integrantes nominalmente no início da mensagem, a ministra encerrou o texto mencionando diretamente Bolsonaro.

“Mas o que revolta de verdade é o papel de uma família nessa história. Uma família que coloca o seu interesse político acima do interesse do país e que articula com uma potência estrangeira para que o Brasil seja taxado” afirmou.

Marina também criticou o uso da política ambiental brasileira como uma das justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos para a cobrança das novas tarifas.

Segundo a ministra, o argumento ignora o crescimento do desmatamento registrado durante o governo Bolsonaro e a retomada das políticas de fiscalização e preservação ambiental a partir de 2023.

“E, ainda mais, usa o próprio desmatamento que provocou entre 2019 e 2022, quando abandonou todas as políticas ambientais, como argumento contra o nosso país hoje” escreveu.

“Bolsonaro vai ter que engolir as árvores”

Marina Silva afirmou que a redução do desmatamento e dos incêndios florestais ocorreu novamente durante o governo Lula. A ministra também projetou que o Brasil poderá registrar, em 2026, a menor taxa de desmatamento de sua série histórica. A declaração foi encerrada com um ataque direto ao ex-presidente Jair Bolsonaro:

Lula também afirmou que a decisão americana faria parte de uma articulação construída com a colaboração de integrantes da família do ex-presidente. Os Bolsonaro negam que sejam responsáveis pela nova medida comercial.

O governo Trump, por sua vez, sustenta que as tarifas decorrem de práticas comerciais consideradas prejudiciais às empresas americanas e da falta de acordo após meses de negociações. A cobrança de 25% alcançará a maior parte das importações brasileiras, mas terá exceções, como carne bovina, suco de laranja, aeronaves, peças de aeronaves e produtos energéticos.