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Marina Silva negocia troca de partido e articula candidatura ao Senado em 2026

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, decidiu deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até abril deste ano para disputar as eleições de 2026. A saída do Executivo é tratada como definida, mas o futuro partidário e eleitoral da ministra ainda está em negociação. Marina mantém conversas simultâneas com Partido dos TrabalhadoresPartido Socialista Brasileiro e Partido Socialismo e Liberdade, com foco em uma possível candidatura ao Senado por São Paulo.

A ministra já descartou disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. O centro das articulações é a formação de uma chapa ao Senado que inclua o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Nesse cenário, a filiação de Marina ao PT é vista por interlocutores como o caminho mais natural, embora ainda não haja definição formal.

As negociações, no entanto, dependem de fatores externos. O destino político de Haddad permanece em aberto: ele é cotado tanto para o Senado quanto para o governo paulista, ainda que o entorno do presidente Lula manifeste preferência por sua candidatura à Casa Alta. Essa indefinição impacta diretamente o desenho da eventual chapa e o cronograma de decisões de Marina.

Impasse na Rede e desgaste interno

A possível saída de Marina da Rede Sustentabilidade ganhou força nos últimos meses. A ministra perdeu espaço dentro da legenda após sucessivos atritos com a cúpula partidária, liderada por Heloísa Helena. Interlocutores apontam que o relacionamento interno se deteriorou após o grupo político ligado a Marina ter sido derrotado em disputas internas recentes.

O principal foco de tensão envolve mudanças no estatuto do partido, especialmente uma nova regra para as eleições de 2026. O dispositivo estabelece prioridade apenas a congressistas com pelo menos dois anos de exercício efetivo no cargo. Na prática, a norma inviabiliza a candidatura de Marina pela Rede, já que ela permaneceu licenciada do mandato para ocupar o Ministério do Meio Ambiente.

Esse conjunto de fatores aprofundou divergências já existentes e levou a ministra a considerar seriamente a troca de legenda. Embora a desfiliação ainda não esteja oficialmente selada, aliados afirmam que a probabilidade de saída é crescente, diante da falta de espaço político e das restrições estatutárias.

Conversas paralelas e cenários em construção

As tratativas com PT, PSB e PSOL seguem em curso, mas permanecem inconclusivas. Segundo fontes próximas à ministra, o diálogo com o PSB é o mais avançado até o momento, embora também esteja condicionado à definição sobre a candidatura de Haddad e ao desfecho do processo interno da Rede.

O calendário eleitoral pressiona por decisões nos próximos meses, especialmente considerando o prazo de desincompatibilização de cargos no Executivo. A expectativa é que Marina formalize sua saída do governo até abril, independentemente da sigla escolhida, para manter viável a candidatura em 2026.

Rearranjos políticos e limites partidários

A movimentação de Marina Silva evidencia os limites das estruturas partidárias diante de lideranças com trajetória nacional consolidada. O impasse na Rede Sustentabilidade expõe tensões entre regras internas e a realidade política de quadros que transitam entre o Legislativo e o Executivo, sobretudo em ciclos longos de governo.

No campo institucional, a possível formação de uma chapa ao Senado com Fernando Haddad revela o esforço do PT em fortalecer sua presença em São Paulo, enquanto partidos do campo progressista buscam reposicionamento estratégico para 2026. A indefinição sobre o destino de Haddad adiciona instabilidade a um cenário já fragmentado.

Do ponto de vista político, a saída de Marina do governo Lula, ainda que planejada, tende a gerar repercussões no debate ambiental e na composição do ministério. A transição precisará ser administrada para evitar ruídos em uma área sensível da agenda governamental.

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