
Um novo episódio de violência no campo chocou moradores da região conhecida como Amacro, na divisa entre o Acre e o Amazonas. Três pessoas foram assassinadas na noite do sábado (25), na Gleba Recreio do Santo Antônio, no sul de Lábrea (AM), área marcada por disputas de terra e histórico de tensão agrária.
Entre as vítimas está um adolescente de apenas 14 anos, o que aumentou a comoção entre moradores e familiares. Também morreram Antônio Renato, de 32 anos, e Josias Albuquerque de Oliveira, conhecido como Pica, de 45 anos.
Segundo testemunhas, as vítimas estavam em uma caminhonete quando foram surpreendidas por uma emboscada na cabeceira da ponte da Gleba Pauene. Criminosos teriam aberto fogo contra o veículo. Com os disparos, o motorista perdeu o controle da direção e caiu em um igarapé.
Outros dois homens que estavam no veículo conseguiram escapar com vida.
Suspeitos presos e armas apreendidas
A Polícia Militar do Amazonas informou que dois suspeitos foram presos apontados como possíveis autores do ataque. Com eles, os policiais apreenderam um fuzil, duas pistolas e munições.
As circunstâncias do crime e a possível participação de mandantes devem ser investigadas pelas autoridades.
Familiares das vítimas afirmam que o crime teria sido encomendado por um fazendeiro da região, já citado em outros episódios de violência contra trabalhadores rurais. A acusação ainda será apurada pela Justiça.
A Gleba Recreio do Santo Antônio é uma área federal. Parte dela foi regularizada e transformada no Projeto de Assentamento Monte, enquanto outra parcela segue sem regularização fundiária, justamente onde ocorrem os conflitos no sul de Lábrea.
Histórico de violência
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) informou que acompanha os conflitos na localidade desde pelo menos 2018. Segundo relatos de moradores, em ocasiões anteriores trabalhadores já teriam sido atacados por pistoleiros após desentendimentos ligados à posse da terra.
Moradores também afirmam que o período de chuvas intensas dificulta o acesso por estrada e a comunicação via internet, situação que facilitaria ações criminosas em áreas isoladas.
A CPT informou que segue acompanhando o caso e cobrando justiça para as famílias das vítimas.
Com informações do Comunicação CPT Nacional

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