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Sindicato denuncia superlotação e falta de médicos em hospitais do Alto Acre

O Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC) encaminhou ao Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC) denúncias sobre uma série de irregularidades identificadas na Unidade Mista de Assis Brasil e no Hospital Regional do Alto Acre, em Brasiléia.

Os problemas foram constatados durante vistorias realizadas entre os dias 26 e 29 de março e incluem superlotação, infiltrações, falta de médicos, déficit de equipamentos, demora na transferência de pacientes e estrutura inadequada para atendimento.

Na Unidade Mista de Assis Brasil, o sindicato aponta que a unidade atende, além da população local, pacientes da Bolívia, do Peru e comunidades indígenas, o que amplia a demanda sobre o serviço de saúde. Durante a vistoria, foi registrada superlotação com mais de 90 pacientes simultaneamente na unidade.

Entre os principais problemas encontrados estão a ausência de sala própria de observação, o que faz com que pacientes permaneçam na recepção junto com pessoas aguardando atendimento, aumentando o risco de infecção cruzada.

Também foi identificado déficit de equipamentos, como a falta de aparelho de ultrassom e a existência de apenas um ventilador mecânico. Segundo a primeira secretária do Sindmed-AC, Kátia Campos, isso representa risco em casos de transferência de pacientes.

O Sindicato ainda relatou que os profissionais trabalham em condições inadequadas. O repouso médico é composto por apenas uma pequena sala com três beliches compartilhados entre profissionais, sem banheiro exclusivo. Em alguns casos, os plantões podem chegar a 48 horas ininterruptas.

Outro ponto apontado é a ausência de fisioterapeuta e de equipe mínima ideal para um hospital de fronteira, incluindo especialistas em obstetrícia e pediatria. Durante a visita, apenas um profissional estava na unidade, já que o outro acompanhava um paciente em transferência.

Além disso, a vistoria encontrou paredes descascadas, mofo, ausência de sistema informatizado para controle de entrada de pacientes e até um cemitério localizado ao lado da unidade, situação que pode representar risco sanitário.

Brasiléia

Já no Hospital Regional do Alto Acre, em Brasiléia, o Sindmed-AC relatou infiltrações na sala semi-intensiva e nas enfermarias, com goteiras inclusive sobre leitos. Uma das camas da unidade chegou a ficar inutilizada.

A entidade também apontou falta de enxoval hospitalar, levando pacientes a levarem lençóis de casa, além da internação de crianças em alas destinadas a adultos.

Outro problema recorrente, segundo a entidade, é a sobrecarga dos médicos. Há plantões realizados por apenas um ou dois profissionais, responsáveis simultaneamente por ambulatório, pronto-socorro, internações e suporte à pediatria.

Também foram relatados casos de pacientes aguardando por meses transferência para a Fundação Hospitalar do Acre (Fundhacre), além da ausência de protocolo organizado para solicitação de exames laboratoriais.

No hospital de Brasiléia, o Sindicato afirma ainda que há apenas um ortopedista atendendo dois dias por semana e que pediatras e ginecologistas atuam, na maior parte do tempo, em regime de sobreaviso

Ascom

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