
Em entrevista ao portal ac24horas nesta sexta-feira (17), a profissional identificada pelas iniciais N.A., acusada de causar queimaduras graves no seio de uma cliente durante procedimento estético em Cruzeiro do Sul, negou as acusações e afirmou que o atendimento foi realizado dentro dos parâmetros técnicos e científicos exigidos para a técnica utilizada.
N.A. afirma não ter recebido intimação e que não é moradora de Cruzeiro do Sul. Contou ainda que a cliente a procurou por WhatsApp para solicitar o procedimento quando ela estava na cidade. “Essa paciente me procurou por meio de WhatsApp, ela queria fazer o procedimento. Quando ela chegou na clínica, ela foi logo se deitando e dizendo o que ela queria. Quando eu terminei o procedimento, ela retornou e disse que não iria pagar porque não era o que ela esperava”, afirmou.
A profissional defendeu a técnica empregada, o jato de plasma com o equipamento Plexr, e afirmou ter 15 anos de formação na área. Segundo ela, o procedimento é uma tecnologia italiana autorizada pela Anvisa. “Mamoplastia sem corte e não invasiva pela Anvisa não tem como ter profundidade na primeira camada da pele. Isso está tudo dentro de técnica e protocolo”, disse. Ela também alegou que o resultado é progressivo e que a cliente não seguiu corretamente as orientações pós-procedimento. “Ela não entendeu o pós ou não quis entender e não seguiu o pós”, declarou.
Sobre a cobrança dos produtos após o procedimento, N.A. afirmou que o pagamento era devido. “Você vai precisar pagar pelo menos o produto”, disse, acrescentando que mesmo na situação, enviou receituário à cliente para prevenir infecção. A profissional afirmou que também registrou denúncia contra a paciente pois o vínculo foi quebrado após a recusa em pagar. “Não só por conta do financeiro, mas por conta do vínculo quebrado com a profissional, porque como eu ia garantir que ela tivesse um pós correto?”, questionou.


N.A. também rebateu a acusação de utilizar imagens de outras profissionais para divulgar seu trabalho. “Todo o pessoal da estética faz isso, eu utilizo resultados que são meus e de redes sociais, para demonstrar que existem vários tipos de técnicas e também imagens da própria empresa, que manda para divulgação de quem utiliza o equipamento. Nas imagens tem dizendo que são ilustrativas”, explicou.
Ela ainda afirmou que, até o momento da entrevista, não havia sido notificada de nenhum processo formal. “Não fui intimada de nenhum processo até então”, disse. O caso foi registrado na Delegacia de Polícia Civil de Cruzeiro do Sul no mês de março.
Segundo a versão da vítima, a maquiadora Vanessa Holanda, ela teria ficado com queimaduras graves no seio após o procedimento estético. O caso veio a público após a vítima relatar o ocorrido em vídeos publicados em seu perfil do Instagram.

Segundo Vanessa, ela buscou o tratamento com jato de plasma para tratar flacidez mamária após duas gestações. A profissional prometeu resultado em cinco dias, com aparência superficial e sem lesões.
No entanto, a pele ficou queimada, com marcas extensas e em processo de cicatrização prolongado. “Eu não saí de casa para ser lesionada, para ser queimada”, afirmou a vítima. Ela relatou que ficou por uma hora e meia prestando depoimento com provas na delegacia do município.
Ao ser questionada sobre valores, ela revelou que pagou R$ 5 mil por dois procedimentos realizados pela profissional, sendo R$ 3,6 mil pelo tratamento no seio e R$ 1,4 mil pelo clareamento íntimo, com desconto aplicado por pagamento à vista. Ela comparou o valor cobrado com a média de mercado. “A média entre profissionais é de 800 a 1.600 os dois seios.” Depois do procedimento, ao perceber as lesões, ela foi cobrada de mais R$ 1,2 mil pelos produtos utilizados. “Só paguei e saí de lá em choque”, descreveu.
Vanessa também apontou que a profissional utilizava imagens de resultados de outras profissionais como se fossem de seu próprio trabalho para atrair clientes. “Ela divulga o trabalho de outra profissional como se fosse dela”, escreveu.

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