
A preocupação com o futuro do principal manancial de abastecimento de Rio Branco ganhou novos contornos após alerta da Defesa Civil municipal. De acordo com o coordenador do órgão, tenente-coronel Cláudio Falcão, a projeção de que o Rio Acre possa atingir cota zero até 2032 já não é mais considerada segura, podendo ser antecipada.
“A previsão é para 2032, que o Rio Acre pode chegar a uma cota zero. Só que […] essas secas foram antecipadas para 2025 e 2024. Então, talvez não chegue nem até 2032”, afirmou.
O alerta se baseia em estudos e previsões climáticas, incluindo análises do climatologista Carlos Nobre, que já indicavam a intensificação de eventos extremos a partir da próxima década, mas que vêm ocorrendo de forma antecipada.
Segundo Falcão, o cenário exige mais do que preocupação: demanda ações concretas e urgentes por parte do poder público.
“O fato é que nós precisamos ter ações e também políticas públicas para que a gente busque alternativa de abastecimento da cidade”, destacou.
Além da redução no volume de água, outro fator que agrava a situação é a degradação ambiental ao longo do curso do rio. Com aproximadamente 1.190 quilômetros de extensão, o Rio Acre sofre com o desmatamento de suas margens e o assoreamento, processo que reduz a profundidade e compromete ainda mais sua capacidade hídrica.
“Muitas dessas margens estão desmatadas e também estão tendo assoreamento desse rio. Então, é preciso que a gente veja isso agora”, alertou o coordenador.
A combinação de mudanças climáticas, pressão ambiental e falta de políticas estruturantes pode colocar em risco o abastecimento de milhares de pessoas nos próximos anos. Para a Defesa Civil, o momento é de agir para evitar um cenário mais grave. “Essa situação de 2032 chama a atenção e precisa, além da preocupação, de ações efetivas”, reforçou Falcão.
Anne Nascimento

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