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Mulher conclui quimioterapia e ganha surpresa ao deixar hospital no Acre “Foi uma felicidade que não cabia no peito”

“Foi uma felicidade que não cabia no peito. Me senti muito amada, acolhida. Foi um dia fechado com chave de ouro”.

Entre cirurgias, incertezas, medo e esperança, a empresária acreana Heluana Patrícia Oliveira Lima, de 40 anos, enfrentou e venceu uma das batalhas mais importantes de sua vida: a luta contra o câncer de mama e o tratamento de quimioterapia em razão da doença.

Ao sair da última sessão, no último dia 13 de março, Heluana viu a dor dar espaço à felicidade: uma homenagem preparada pelo marido transformou o fim do tratamento em um recomeço. A celebração repercutiu nas redes sociais.

Natural de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, Heluana foi diagnosticada com a doença em julho do ano passado. Após duas cirurgias em setembro na capital, a acreana iniciou a fase quimioterápica no mês seguinte, cercada de medo e desespero em meio ao diagnóstico doloroso.

“Foi um momento muito, muito difícil. Eu entrei em desespero porque quando a gente recebe esse diagnóstico, achamos logo que vamos morrer. Eu não pensei nem tanto em mim, mas no meu filho de dois anos e no meu esposo”, relembrou ao g1. 

‘Cheguei a pedir a Deus para me levar’

A paciente contou que no procedimento cirúrgico, foi retirado o quadrante da mama afetado e o linfonodo sentinela, que é primeira estrutura do sistema linfático a ser afetada no caso de um câncer de mama.

Apesar de a margem ter sido considerada segura, o linfonodo apresentou comprometimento, sendo necessária uma segunda cirurgia para esvaziamento axilar. O resultado do segundo procedimento foi positivo, entretanto, a recomendação médica foi de iniciar a quimioterapia como medida preventiva.

Conforme Heluana, o processo cirúrgico foi enfrentado com tranquilidade, mas a quimioterapia trouxe novos desafios devido aos relatos de precisar ter que lidar com os efeitos colaterais, já que possui problemas intestinais.

“A segunda quimioterapia foi a pior de todas. Eu me desesperei, passei dias sem conseguir dormir, com muitas reações. Cheguei a pedir a Deus para me levar, porque era muito sofrimento”, comentou.

Fases do tratamento

De acordo com Heluana, ao todo, foram oito sessões de quimioterapia (quatro vermelhas e quatro brancas), feitas entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul, com apoio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD).

Segundo a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama, as duas fases do tratamento estão ligadas às cores dos medicamentos, mas mantendo a eficácia no combate. A vermelha combate células agressivas, enquanto a branca atua visando eliminar o câncer e prevenir recidivas.

Além do medo, Heluana diz que um dos momentos mais marcantes e delicados do tratamento foi a perda dos cabelos, uma das consequências comuns da quimioterapia, mas que impactou profundamente a sua autoestima.

“Eu sempre tive muito cuidado com o meu cabelo, era algo que eu amava em mim. Perder foi muito difícil. Nesse processo da quimio meu corpo mudou, ganhei 14 kg e a autoestima foi lá para baixo. É um processo que afeta nosso psicológico também, em geral mexe do dedo dos pés ao fio de cabelo. Mas Deus foi tão fiel que consegui fazer todas as quimios no tempo certinho”, compartilhou.

Apoio da família

Durante todo o processo, Heluana destaca que o apoio da família, amigos e do marido foi essencial. Casado com ela há 11 anos, Jesus de Nazaré da Rocha Barroso disse que mesmo diante do medo, buscou se manter firme para dar suporte à esposa.

“Quando saiu o resultado positivo, eu fiquei sem chão. Por dentro me deu desespero, mas tentei não demonstrar para ela. Eu chorava sozinho e orava pedindo a Deus pela cura dela”, relata.

A conclusão da última sessão de quimioterapia, além de representar um alívio, foi marcada por uma grande surpresa preparada pelo marido: José organizou uma carreata com direito a carro adesivado, além de uma recepção especial e jantar com familiares e amigos para celebrar a vitória da esposa.

“[A surpresa] foi para mostrar que ela tinha muitas pessoas ao lado dela, torcendo pela recuperação. Fizemos tudo com muito amor”, disse.

Agora, a acreana deve iniciar a próxima etapa: a radioterapia. Enquanto aguarda o deslocamento para realizar as sessões por meio da Transferência Fora de Domicílio (TFD), ela aproveitou para deixar um alerta:

“Quero pedir para que as mulheres se cuidem, façam seus exames. A gente não pode adiar a nossa saúde”, aconselha.

g1

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